Cultivando o Futuro: projeto incentiva a alimentação saudável

Projeto desenvolvido no CMEI Vovó Helena em Bom Sucesso do Sul fomenta a implantação de hortas familiares

Por Redação 20/08/2019 - 17:26 hs
Foto: Helmuth Kühl

Desde de fevereiro deste ano, Jocemir Claro, educador do Grupo 5 do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Vovó Helena, desenvolve com os seus 21 alunos o projeto “Cidade também é campo: Cores, aromas e sabores! ”.

A iniciativa é um dos vários trabalhos de instituições paranaenses de ensino inscritos no Agrinho, maior programa/concurso de responsabilidade social do Sistema Faep, como objetivo de levar informações sobre saúde, bem como segurança pessoal e ambiental.

“O Cmei faz parte de vários projetos durante o ano letivo. E o ‘Cidade também é campo: Cores, aromas e sabores!’ faz parte do Agrinho. Como nesse ano o tema é direcionado à cidade e o campo, sentimos a necessidade de trabalhar um tema curioso, que despertasse interesse nas crianças e surgiu o nosso projeto, que consiste na elaboração de uma horta”, justifica Claro.

Ele conta que, a princípio, foi trabalhado com as crianças os aromas, sabores e temperos. Depois eles começaram a pôr a mão na massa. “Tivemos o apoio da Prefeitura, que forneceu o espaço, os equipamentos, as sementes, as mudas, além de um instrutor, que nos auxiliou na elaboração dos canteiros, tendo em vista que as crianças têm cinco anos de idade. Então, primando pela segurança deles, houve esse suporte”.

A princípio, os alunos plantaram dois tipos de alface. Aos poucos foram expandindo a produção, sendo que a estrutura hoje tem 18x50 metros e conta ainda com couve, chicória, vários legumes e chás (capim cidreira, camomila e hortelã)

EXPANSÃO

Os produtos não atendem apenas ao Cmei, que possui cerca de 160 crianças. Mas também à Escola Municipal Irmã Neli e à APAE Bom Sucesso do Sul.

“Como temos uma alimentação variada, com acompanhamento de nutricionista, a variedade de produtos que temos na horta não é o suficiente; se faz necessária a aquisição de outros produtos pela Prefeitura junto aos agricultores. Mas embora o projeto seja recente, creio que 20% do que é consumido, é plantado e colhido aqui. Com o tempo deve dobrar e triplicar esse número”, estima Claro, completando que a ideia é que outras turmas, inclusive das outras escolas, passem a participar do projeto.

A Diretora do Departamento de Educação, Elisana Pilonetto, acrescenta inclusive que “a intenção é que esses alimentos não fiquem somente para a merenda escolar, mas se estendam para a Festa do Leitão Desossado, tradicional em nosso município. Como futuramente teremos uma produção grande e temos também a agricultura familiar, que alguns alimentos já estão inseridos na merenda, em parceria com a Emater, o prefeito Nilson Feversani teve a ideia que fosse plantado algo para a Festa do Leitão, aproveitando esse espaço bom que temos aqui”.

ALÉM DO CMEI

O projeto foi tão bem aceito pelos alunos, que eles se mobilizaram para que seus pais também instalassem hortas em suas casas. “Foi muito importante para a nossa escola, pois fez com que as famílias participassem mais. Os pais enviam fotos pelo WhatsApp, mostrando que as crianças os incentivam a ter hortas em suas casas. Então está sendo bem gratificante esse projeto”, avalia a diretora do Cmei, Mariana Dalponte André.

Uma das alunas é a Bianca, que estuda no Cmei desde os três anos de idade. “Nós tínhamos uma pequena horta antes. Mas, com essa iniciativa do professor, a nossa filha nos incentivou para que ampliássemos. Colocamos calcário e adubo”, conta a mãe da Bianca, Araceli Viniarski Dubena.

Éber Eleandro Dubena, pai da Bianca, acrescenta que, antes era difícil da filha consumir verduras e legumes. “Comia pouca coisa, mas depois que ela teve a participação na horta, inclusive auxiliando na que temos em casa, começou a aprender e gostar”.

Elisandra Roberto, mãe da aluna Maria Luísa, também aprovou o projeto. “É uma fase difícil de fazer as crianças comerem verduras e legumes, que são tão importantes para a saúde. Assim, vendo outras crianças comerem, também se estimulam a se alimentar de forma saudável”.

Ela conta que a filha antes não gostava de cenoura. “Agora quer suco de laranja com cenoura, cenoura ralada, enfim, é algo que ela passou a gostar após o projeto”, comemora, acrescentando: “Além disso, as crianças chegaram em casa, incentivando os pais a fazerem a horta. Lá em casa, por exemplo, já tínhamos uma horta, mas agora Bianca puxa a orelha para ter algo plantado, ajuda a cuidar. Então é um projeto super válido, o professor está de parabéns”.

ANTES E DEPOIS

O instrutor continua auxiliando na manutenção da horta. Já as crianças têm um cronograma e se dedicam duas a três vezes por semana para cuidar das suas plantações.

“Tiram os matos, misturam e regam a terra. O interessante é que, além da alimentação, de incentivarem seus pais, esse projeto tem contribuído ainda em relação ao comportamento das crianças em sala. Ao ter um olhar mais cuidadoso ao mexer com as plantas, faz com que se tornem mais calmos. Assim, vão aprendendo com as plantas, até essa questão dos sentimentos”, destaca o professor.

Claro ainda disse que, dos 21 alunos, dois ou três tinham horta em casa, antes do projeto. “Hoje, pelos relatos, são 18 famílias que têm hortas em suas casas”.

Outro fato curioso, segundo o docente é em relação ao consumo. A maioria dos alunos não gostava ou não comia verduras e legumes. “Hoje, pelo menos um dos alimentos que eles produzem, eles consomem. Isso é muito gratificante, porque vimos que os objetivos foram alcançados”.

Texto: Diário do Sudoeste – Paloma Stedile