Imagem mostra como são as comunidades bacterianas da língua humana

Segundo os cientistas, os microrganismos da boca se organizam de acordo com muitos fatores, como temperatura, umidade, fluxo salivar, pH, oxigênio e higiene bucal

Por Redação 25/03/2020 - 16:30 hs
Foto: Divulgação

Usando uma técnica de imagem fluorescente desenvolvida recentemente, pesquisadores norte-americanos mapearam comunidades microbianas na língua humana. As imagens fazem parte de um artigo publicado no Cell Reports que também revelou a complexidade organizacional dos microrganismos.

"A partir de uma análise detalhada da estrutura, podemos fazer inferências sobre os princípios de crescimento e organização da comunidade [bacteriana]", explicou Gary Borisy, da Universidade de Harvard, em comunicado. "As bactérias na língua são muito mais do que apenas um amontoado aleatório. Elas são como um órgão do nosso corpo."

Segundo os cientistas, a organização espacial das comunidades microbianas na boca é afetada por uma variedade de fatores, incluindo temperatura, umidade, fluxo salivar, pH, oxigênio e frequência de distúrbios, como abrasão e higiene bucal. Além disso, os organismos influenciam uns aos outros, podendo agir como fontes ou "ladrões" de nutrientes e de moléculas dos vizinhos.

Os especialistas que participaram da pesquisa acreditam que compreender como essas "comunidades" se organizam na língua é fundamental para um maior entendimento da saúde bucal. "A língua é particularmente importante porque abriga um grande reservatório de micróbios e é um ponto de referência tradicional na medicina. 'Estique a língua para fora' é uma das primeiras coisas que um médico diz", comentou a coautora Jessica Mark Welch.

Para realizar a pesquisa, a equipe identificou os 17 gêneros bacterianos mais comuns na língua de ao menos 80% de 21 voluntários. Então, os pesquisadores utilizaram a técnica chamada de Rotulagem Combinatória e Imagem Espectral — Hibridização por Fluorescência in situ (CLASI-FISH), recentemente desenvolvida no laboratório de Borisy, em Harvard, que consiste em associar cada tipo de microrganismo com um fluorfóro (um tipo de pigmento fluorescente).

Borisy pontuou que o novo estudo é o primeiro que distingue as bactérias da língua de acordo com sua estrutura. "A maior parte dos trabalhos anteriores sobre comunidades bacterianas usou abordagens baseadas em sequenciamento de DNA, mas, para obtê-la, é necessário extrair uma amostra de material genético da boca, o que destrói toda a bela estrutura espacial que estava lá", disse o especialista. "O uso da técnica CLASI-FISH nos permite preservar a estrutura espacial e identificar as bactérias ao mesmo tempo."

Texto: Revista Galileu