Coronavírus X dengue: doenças assombram a população

Organização Mundial da Saúde decretou pandemia do Coronavírus no dia 11 de março; dengue já matou 37 pessoas no Paraná

Por Redação 20/03/2020 - 16:37 hs
Foto: Divulgação


da redação

Se o novo Coronavírus trata-se de uma preocupação mundial, a dengue permanece como uma velha e conhecida doença da população brasileira. De acordo com o Ministério da Saúde já são mais de 90 mil casos prováveis de dengue no Brasil. Há mais notificações da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti no país do que confirmações de casos do coronavírus no mundo. Além disso, os prováveis casos cresceram 19% nas cinco primeiras semanas do ano em comparação com o mesmo período de 2019.

Foto: Ricardo Moraes

Devido a isso, profissionais da saúde alertam sobre o aumento da incidência das duas doenças, mas com uma preocupação ainda maior que é a sobrecarga do sistema público de saúde.

“Em uma situação como esta, não há como descartar a possibilidade de uma epidemia cruzada, pois o risco existe. No entanto, todos os órgãos de saúde têm orientado sobre as medidas necessárias para evitar a propagação destas doenças. A grande quantidade de casos de dengue e a chegada do coronavírus causam uma sobrecarga no sistema de saúde, que por enquanto está sob controle. Por isso, é extremamente importante que a população fique atenta às recomendações e as sigam”, explica a médica Lilimar Mori, da Vigilância Epidemiológica da 10ª Regional de Saúde.

De acordo com a profissional o momento é de alerta. “Estamos atentos pois já tivemos óbitos causados pela dengue. Nossas equipes estão sendo treinadas para lidar com o novo coronavírus e também já foi divulgado que a vacina contra a influenza será antecipada”, diz. Lilimar reforça que a população deve ter cautela e repensar alguns hábitos. “É fundamental se preservar neste momento, evitar viagens, e aglomerações de pessoas, por exemplo. Além disso, caso alguém apresente algum sintoma suspeito deve procurar uma unidade de saúde. Outro ponto importante é: se as pessoas estiverem devidamente vacinadas, a chance de contrair coronavírus é muito menor”, esclarece.

A campanha de vacinação contra a influenza deve iniciar no fim do mês de março e terá como grupo prioritário, em um primeiro momento, pessoas acima de 60 anos.

No Paraná, seis casos de coronavírus foram confirmados pelo Secretaria de Estado da Saúde na quinta-feira, dia 12 de março. Todos os casos são importados. Para o secretário Beto Preto, o Estado está preparado para este enfrentamento. “Seguimos as medidas de contenção e de prevenção estabelecidas pelo Ministério da Saúde e contamos com o apoio das secretarias municipais”, declarou, acrescentando que não há motivo para pânico. “O que devemos é ressaltar as medidas preventivas e tranquilizar os paranaenses”.

Em Cascavel, até o momento não há casos confirmados de coronavírus, apenas suspeitos. No entanto, o número de casos confirmados de dengue é de 525.  

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) anunciou uma série de ações para dar fluxo a alta demanda nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) devido ao avanço dos casos de dengue e às suspeitas de coronavírus. Entre as medidas estão a suspensão das reuniões de trabalho que são realizadas nas Unidades Saúde da Família (USF's) e Unidades Básicas de Saúde (UBS's). Além disso, também estão suspensas as licenças-prêmio e licença sem vencimentos dos servidores da saúde, e os atendimentos em na USF do Morumbi e nas UBS's dos bairros Neva e Aclimação tiveram o horário ampliado, até às 22 horas, exclusivamente para atendimento de casos com sintomas de dengue e coronavírus.

Para especialistas, a alta da dengue em 2020 deve-se a alguns fatores como: a alteração do tipo de vírus circulante; as condições meteorológicas dos últimos meses e os fatores culturais e comportamentais da população.

Portanto, a prevenção ainda é a melhor maneira de evitar a doença. Eliminar qualquer água parada e não facilitar esse acúmulo em vasos de plantas, pneus, garrafas, piscinas e outros recipientes, auxiliam neste combate. Além disso, recomenda-se o uso de repelentes, inseticidas, mosquiteiros e roupas que minimizem a exposição da pele.

“Nossa equipe realizou diversas ações para o combate do mosquito. Foram feitos mutirões de limpeza e os agentes de endemias trabalharam fora de seus horários, por exemplo. O fumacê também foi utilizado, mas ele mata o mosquito e não as larvas, ou seja, não acaba com os criadouros. Logo, é necessário que a população continue auxiliando a eliminar os focos de água parada”, declara Mari Dalsasso, coordenadora da Endemias do Município de Cascavel.

  

DENGUE: O PERIGO MAIS PRÓXIMO

Diante de um quadro tão preocupante e imediato, é primordial que a população se conscientize e direcione sua preocupação para as situações alarmantes, como é o caso da dengue.

O Paraná encontra-se em epidemia. No início de fevereiro, havia 15 mil casos da doença e 50 municípios em estado de epidemia. Já no início de março, o crescimento do número de casos de pessoas infectadas pelo vírus manteve uma média de 22% por semana.

Além disso, já houveram 37 mortes decorrentes da doença no Estado e há mais de 50 mil casos confirmados, conforme o último boletim epidemiológico divulgado. A cidade com maior número de mortes, por enquanto, é Maringá, e as com maior número de casos são Londrina e Paranavaí.

O município de Cascavel não entrou em epidemia, mas está próximo disso.

Foto: Divulgação

DENGUE CLÁSSICA

Muitas vezes os sintomas desse tipo de dengue são confundidos com a gripe, tendo início repentino. Os sintomas da dengue mais leve são febre alta, dores de cabeça, cansaço, dores musculares e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas pelo corpo e dor ao movimentar os olhos. A infecção pode, também, ser assintomática.

DENGUE HEMORRÁGICA

Esta é a manifestação grave da doença, que ocorre quando a pessoa infectada sofre alterações na coagulação sanguínea. Nesse caso, se não houver tratamento rápido, a doença pode levar à morte.

Na dengue hemorrágica, o início é marcado pelos mesmos sintomas que na clássica, e no terceiro ou quarto dia depois do início dos sintomas, a febre cessa e começam a ocorrer hemorragias.  Além disso, nessa situação o quadro clínico piora rapidamente, e a baixa circulação pode levar os indivíduos a um estado de choque. A síndrome de choque da dengue, quando não é tratada, pode levar à morte em 24 horas. O Ministério da Saúde coloca a taxa de letalidade da dengue hemorrágica como 5%.

CURA E TRATAMENTO

Geralmente a dengue tem cura espontânea depois de 10 dias, se o diagnóstico dos médicos for de que a forma leve da doença está se manifestando. Caso o paciente apresente dengue hemorrágica, deve-se encaminhar a um hospital para os procedimentos necessários. O tratamento é feito, nos casos leves da doença, apenas no alívio dos sintomas, por meio de hidratação e repouso, de acordo com a recomendação do médico responsável.

COVID-19: ENTENDA