Supremo agora investiga o próprio Bolsonaro

Moraes pediu um parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR)

Por Canal Meio 05/08/2021 - 08:59 hs


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre Moraes aceitou a notícia-crime enviada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e incluiu o presidente Jair Bolsonaro no inquérito das fake news por seus constantes ataques sem provas ao sistema de votação brasileiro. A decisão de Moraes elencou 11 possíveis crimes cometidos pelo presidente, incluindo calúnia, denunciação caluniosa e três artigos previstos na Lei de Segurança Nacional, a mesma que o governo usou contra opositores. Moraes pediu um parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR), e é aí que a coisa complica. O procurador-geral Augusto Aras se notabilizou como escudo do presidente e já tentou várias vezes barrar o inquérito das fake news. (G1)

Bolsonaro reagiu dizendo que inquérito era ilegal por ter sido aberto de ofício pelo Supremo, e não a pedido da PGR. E voltou a fazer ameaças em tom golpista. “Está dentro das quatro linhas da Constituição? Não está, então o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição”, disse, em entrevista a uma rádio. (Folha)

E não foi o único dissabor de Bolsonaro no STF. A ministra Cármen Lúcia enviou à PGR para parecer a denúncia da bancada do PT contra o presidente por uso indevido da TV Brasil em propaganda eleitoral antecipada. Embora seja um procedimento padrão, os termos da ministra foram duros, falando do “grave relato apresentado pelos autores” e de atos que “que podem, em tese, configurar crime”. (Poder360)

A comissão especial da Câmara adiou a votação do novo sistema eleitoral após a relatora Renata Abreu (Podemos-SP) apresentar uma nova versão de seu parecer. Além de amenizar o distritão, ela incluiu um jabuti: a anualidade para decisões do STF e do TSE relativas à eleição. Sem acordo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) deve convocar sessões extras para acelerar o prazo regimental e levar o assunto direto ao plenário. (Folha)

E uma nova mudança na PEC do voto impresso transfere da Justiça Eleitoral para a PF o poder de investigar processos de votação e acaba com a exigência de um ano entre a aprovação das mudanças e sua entrada em vigor. O projeto deve ser votado hoje na comissão especial. (Estadão)

Lira fez ontem um aceno a Bolsonaro. Embora afirme que o sistema de votação brasileiro é confiável, ele defendeu um projeto sobre urnas “que sirva a todos”. Lira também defendeu o projeto de mudança no Código Eleitoral, que prevê, entre outras alterações, a proibição de pesquisas eleitorais na véspera da eleição. (CNN Brasil)

Se as eleições fossem hoje, o ex-presidente Lula (PT) venceria no segundo turno o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por 52% a 32%, segundo levantamento do PoderData. Há duas notícias aí. A primeira é a confirmação da vantagem de Lula. A segunda é que ela parou de crescer. Em relação à última pesquisa, o petista caiu dois pontos, dentro da margem de erro, enquanto o presidente obteve o mesmo número. No primeiro turno, Lula chegaria em primeiro com 39%, seguido de Bolsonaro, com 25%. Somados, todos os demais candidatos têm os mesmos 25% do presidente. O que não para de crescer é a rejeição a Bolsonaro: 61% dos entrevistados não votariam nele de jeito nenhum. Eram 56% em julho. Lula tem a menor rejeição, 34%. (Poder360)

O segundo dia de trabalhos da CPI da Pandemia após o recesso foi tenso. O depoente era o tenente-coronel e ex-assessor do Ministério da Saúde Marcelo Blanco, que admitiu ter levado o PM Luiz Paulo Dominguetti a um jantar com o então diretor de Logística do ministério, Roberto Dias. Ele negou, porém, que tivesse havido pedido de propina, como denunciou o PM, e disse que pretendia fazer uma parceria comercial com ele. Durante o interrogatório, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), teve uma discussão áspera com o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO), que reclamava da divulgação de dados pela comissão. “Ele (o material não sigiloso) não fala da vida pessoal, não; fala de uma negociata. É uma negociata”, exclamou Aziz. (UOL)

E a confusão não parou por ali. Mais tarde, o deputado governista Reinhold Stephanes Junior (PSD-PR) apareceu na comissão (que é do Senado) e bateu-boca com o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e acabou retirado do local pela Polícia Legislativa. Veja o vídeo. (G1)

Meio em vídeo. Como o passado recente do país explica a ascensão de Jair Bolsonaro?  No Conversas com o Meio desta semana, o cientista político e presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, traz um olhar da esquerda sobre os acontecimentos que eclodiram nas jornadas de junho de 2013, na polarização política e na eleição de um líder autoritário. Confira no YouTube.

Música de espera, ligação caindo, chat que não funciona: no Meio não tem nada disso. Você é livre para ir e vir como e quando quiser. É fácil dar um tempo e mais fácil ainda assinar o premium e receber uma edição especial todo sábado. Assine. É mais barato que a taxa de entrega do delivery.

 

Tech no próximo nível

 

O Bluetooth vai muito além de conectar o notebook à impressora ou ao fone de ouvido. Atualmente, a tecnologia tem sido usada para criar ecossistemas de Internet das Coisas (IoT) para automatizar ambientes de trabalho com menor interferência humana possível. Enquanto dispositivos IoT conectados por uma rede Wi-Fi exigem a intervenção de um humano para funcionar, como um comando de voz, numa rede em malha Bluetooth isso ocorre totalmente de forma automatizada. Dessa forma, o escritório se torna muito mais inteligente.

O consumidor mudou e a empresa que quer se manter competitiva precisa estar atentas as novas demandas de atendimento em todas as etapas no processo de venda. Na terça-feira, 10, às 15h, o editor Pedro Doria e um time de especialistas vão falar sobre experiência do cliente e como ajudar as empresas na construção de um vínculo mais próximo com os seus consumidores. O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas pelo link.

Meio em vídeo. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já está valendo. A partir de agora, empresas poderão ser penalizadas se não cuidarem das informações que possuem de maneira adequada. Assista.

 

 

Viver

 

O skate brasileiro não foi a Tóquio a passeio. Pedro Barros garantiu a terceira medalha de prata do país na modalidade, agora na categoria skate park. Emocionado, ele disse que o esporte serve de exemplo para o povo: “A gente pode cair várias vezes no chão, mas a missão é ver um amanhã melhor.” (Globo Esporte)

E já temos mais duas pratas garantidas que têm tudo para virar ouro, agora nos ringues. Beatriz Ferreira começou a “mudar a cor” de sua medalha ao descer a bordoada na finlandesa Mira Potkonen e chegar à final do boxe feminino na categoria até 60kg. Só lembrando, Bia é a atual campeã mundial. Outro que vai correr atrás do ouro no boxe é Herbert Conceição, que venceu o russo Gleb Bakshi na categoria até 75kg. (UOL)

Falando em Bia, isso deve doer. (Twitter)

Com a prata no skate e mais três garantidas (o futebol masculino também está na final), o Brasil iguala o recorde de 19  medalhas conquistadas nos Jogos do Rio. (Folha)

Uma outra medalha pode vir, mas com gosto amargo. A seleção masculina de vôlei perdeu de virada para os russos e vai disputar o bronze. É a primeira vez em 17 anos que o Brasil fica de fora de uma final olímpica masculina. Mas as mulheres ainda estão no páreo e enfrentam a Coreia do Sul amanhã. (Globo)

O Colégio Cebama, em Imperatriz (MA), retomou as aulas um pouquinho diferente. Agora há uma parede com desenhos em homenagem a sua aluna mais ilustre, Rayssa Leal, a Fadinha, que mostrou a medalha de prata aos amigos e já mergulhou nos estudos. (Globo Esporte)

Era noite num prédio residencial do Rio quando os moradores foram surpreendidos por gritos altos vindos de um apartamento. Chamaram a polícia pensando ser violência doméstica ou possessão demoníaca. Nada disso, era só Maria Clara Fontoura, namorada de Ana Marcela Cunha, que comemorava o ouro olímpico da amada na maratona aquática. (Globo Esporte)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), acusou o Ministério da Saúde de ter entregado somente a metade das doses prometidas de vacinas da Pfizer. Segundo ele, a falta de 228 mil doses prejudica o projeto de imunizar adolescentes, já que a Pfizer é a única vacina autorizada pela Anvisa para aplicação em jovens de 12 a 17 anos. (G1)

O ministério se justificou dizendo que São Paulo recebeu menos Pfizer porque teria anteriormente ficado com uma quantidade maior de CoronaVac, declaração que o governo paulista classificou como mentirosa. (UOL)

E nunca é demais repetir, vacinar é fundamental. Um estudo do Imperial College de Londres indicou que pessoas com duas doses da AstraZeneca ou da Pfizer tem risco de infecção pela temida variante delta de 50% a 60% menor. (Globo)

O Brasil teve ontem 1.118 mortes por Covid-19, totalizando 559.715 vítimas fatais da doença. O número de infecções passou dos 20 milhões, 20.026.502, com 40.429 novos casos registrados na quarta-feira. (UOL)

Panelinha no Meio. Durante anos você levou seu pai à loucura. Não minta, você sabe que sim. Então, se for seguro vocês comemorarem juntos o Dia dos Pais, faça para ele uma carne louca acebolada. É quase uma justiça poética. Ah, se puder, prepare de véspera para apurar bem o sabor.

 

 

Cultura

 

Em vez de homenagear uma personalidade, a edição deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) terá uma homenagem coletiva aos pensadores indígenas mortos pela Covid-19. A novidade espelha também uma mudança na organização do evento, que passa a ter uma curadoria coletiva. A 19ª edição da Flip vai acontecer de 27 de novembro a 5 de dezembro. (Globo)

Nascido na Bahia de mãe negra escravizada e pai branco, Luiz Gama chegou a ser vendido aos 10 anos e só aprendeu a ler e escrever aos 17. Isso não o impediu de se tornar advogado, jornalista e um dos nomes fundamentais na luta pela Abolição. Essa é a história contada pelo longa Doutor Gama (trailer no YouTube), de Jefferson De. Como diz o cineasta, que tem uma premiada filmografia sobre a questão racial no Brasil, a ideia é “abrir uma janela para que a gente perceba o quanto avançamos e o que ainda precisamos fazer”. (Folha)

Se em seu álbum de estreia, When All Fall Asleep, Where Do We Go? (2019), a adolescente Billie Eilich exorcizava os pesadelos de sua não tão distante infância, o recém-lançado Happier Than Ever expõe demônios reais. Relacionamentos abusivos, parasitas atraídos por uma estrela de 19 anos, a dificuldade de ser uma jovem em meio à fama, tudo em sua voz que é pouco mais que um sussurro. A não ser na faixa-título (YouTube), na qual ela explode da forma mais não-Eilich possível. Billie está ficando adulta. (Estadão)

 

 

Cotidiano Digital

 

A corrida pelo menor tempo de entrega no ecommerce se acelerou no Brasil. O serviço da Amazon de entrega gratuita em um dia, já adotado nos EUA, chegou ao país, em mais de 50 cidades. Está disponível para assinantes Prime da plataforma, cuja assinatura custa R$ 9,90 por mês. O anúncio vem em um momento em que os concorrentes como Mercado Livre, Magazine Luiza e Americanas já realizam entregas em horas. (UOL)

Novidade do WhatsApp. O app ganhou opção para enviar fotos e vídeos que só podem ser visualizados uma vez.

A pressão da China nas suas big techs continua. A mais recente é contra a Tencent. Um jornal estatal escreveu que o vício das crianças em jogos é um “ópio para a mente” e citou especificamente um jogo da empresa. Isso foi suficiente para que as ações da Tencent caíssem mais de 10%. A empresa respondeu banindo menores de comprarem no jogo e restringindo o limite de tempo para as crianças brincarem. A Tencent é dona de companhias como Riot Games (criadora de League of Legends) e WeChat, e possui 40% das ações da Epic Games — do Fortnite. Nos últimos meses, o governo chinês tem intensificado sua regulamentação em questões de segurança de dados e monopólio. Nove das 10 empresas que mais perderam valor de mercado em julho são chinesas, segundo a Bloomberg. (Morning Brew)