Bolsonaro sente a pancada dada pelo TSE e contra-ataca

Na manhã de ontem, falando a apoiadores, Bolsonaro disse que não aceitará intimidações

Por Canal Meio 04/08/2021 - 09:12 hs

Jair Bolsonaro sentiu o impacto da contraofensiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a sua campanha contra as urnas eletrônicas e reagiu com mais agressividade. O tribunal abriu na segunda-feira um inquérito administrativo para apurar a conduta do presidente e encaminhou notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele seja incluído no inquérito das fake news. Na manhã de ontem, falando a apoiadores, Bolsonaro disse que não aceitará intimidações. “Vou continuar exercendo meu direito de cidadão, de liberdade de expressão, de criticar, de ouvir e atender acima de tudo a vontade popular”, continuou. (G1)

Segundo juristas, o inquérito no TSE e a denúncia ao STF têm a possibilidade de, no caso de uma condenação, deixar Bolsonaro inelegível. Até o momento, porém, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o procurador-geral da República, Augusto Aras, não demonstram qualquer interesse em bancar um processo contra o presidente. (Estadão)

E a delegada da Polícia Federal responsável pelo inquérito das fake news aberto pelo STF pediu ao ministro Alexandre Moraes que solicite às CPIs da Pandemia e das Fake News dados resultantes de quebras de sigilo, em especial de assessores do Planalto. O objetivo é chegar no chamado “gabinete do ódio”. (Veja)

Em outra frente, a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara convocou o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto para se explicar sobre a suposta ameaça contra as eleições de 2022 se não houver voto impresso. O ministro nega que tenha feito a ameaça, endereçada a Lira. (Folha)

A CPI da Pandemia retomou ontem os depoimentos com um espetáculo de confusão por parte do reverendo Amilton Gomes de Paula, que intermediou uma negociação suspeita de vacinas ao Ministério da Saúde. A despeito das diversas reuniões, trocas de mensagens, fotos e telefonemas registrados, Amilton disse não conhecer ninguém no governo nem lembrar dos eventos. Em alguns momentos ele chorou — ou dissimulou choro — e disse ter sido usado, sem comover os senadores. (G1)

O reverendo foi mais incisivo ao dizer que o aumento de US$ 10 para US$11 no preço das doses oferecidas pela Davati Medical Suply, que supostamente negociava com a AstraZeneca, foi iniciativa da empresa. Antes mesmo do fim do depoimento, a Davati enviou nota à CPI desmentindo. (UOL)

Ignorando o Oitavo Mandamento, o religioso negou ter negociado também com estados e municípios, mas e-mails o mostram oferecendo vacinas a uma associação de municípios do Acre. (CNN Brasil)

E o deputado Luis Miranda (DEM-DF) disse em depoimento à Polícia Federal que ouviu do então ministro da Saúde Eduardo Pazuello que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o impedia de agir contra a pandemia porque o general, nas próprias palavras, “não quis liberar a grana pra listinha que ele me deu dos municípios que ele queria que recebesse”. (Globo)

A PF enviou à CPI uma versão cortada do depoimento de Pazuello. O vídeo termina no meio de uma frase e não faz referência a Jair Bolsonaro. (Metrópoles)

A volta da CPI no meio dos Jogos Olímpicos foi tema para uma enxurrada de memes, como mostra Patrícia Kogut. (Globo)

Com o aval do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), os deputados devem votar esta semana um projeto que unifica a legislação eleitoral e produz enormes retrocessos. Entre outras mudanças, o texto limita pesquisas eleitorais, esvazia regras de fiscalização e normatização da Justiça Eleitoral e enfraquece cotas para mulheres e não brancos nas eleições. Para que valha no pleito do ano que vem, o projeto precisa ser aprovado na Câmara e no Senado e sancionado pelo presidente até o início de outubro. (Folha)

Não há democracia, dizia Thomas Jefferson, sem eleitores informados. Mas, no século 21, os veículos tradicionais perderam o encaixe na vida. Mas o Meio encaixa. A gente já resolve para você, de segunda a sexta, o problema das notícias. Podemos resolver também o do contexto, da profundidade, com a edição de sábado. Assine. Não vai se arrepender. É tão barato…

 

Finanças em Dia

 

A digitalização financeira está avançando no Brasil, mas ainda de forma desigual. Pagamentos por aproximação aumentaram em 300% entre janeiro e dezembro de 2020, segundo a Mastercard. O mesmo foi notado pela Visa. Em março, 10% das transações usaram a aproximação —um número cinco vezes maior do que o registrado no mesmo mês de 2020. Mas o uso ainda está restrito aos jovens de 18 a 35 anos e o público de alta renda. (Folha)

Então… Ainda existem 34 milhões de brasileiros sem conta bancária ou que a usam com pouca frequência. São, majoritariamente do interior, mulheres, mais jovens, das classes D e E e menos escolarizados, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva. (Valor investe)

Pela quarta vez consecutiva, o Banco Central deve aumentar a Selic. A aposta dos economistas é que, na reunião de amanhã, a taxa de juros aumente no mínimo, 0,75 ponto percentual, de 4,25% ao ano para 5% ao ano. Essa alta significa que aplicações de renda fixa vão se tornar ainda mais vantajosas. E esse tipo de investimento é o melhor caminho para quem quer começar a investir. Engana-se quem ainda acredita que investir é só para quem tem dinheiro. Hoje, com uma variedade de opções, alocar recursos em investimentos pode se adaptar a qualquer tipo e tamanho de orçamento, sem precisar se tornar um peso. Em 5 passos, saiba como começar.

O Open Banking, previsto para o mês que vem, têm potencial de aumentar a concorrência e turbinar o volume de crédito no país. Cálculos do mercado apontam para um crescimento de 30% no volume de empréstimos e financiamentos concedidos. Mas, ao contrário do PIX, os avanços serão graduais, ao longo de dois, três anos. Com essa abertura, qualquer banco poderá ter o histórico do cliente, o que permitiria uma oferta maior de crédito para a população (Estadão)

Então… A margem cobrada pelos bancos no crédito caiu ao menor nível em oito anos. O spread bancário médio, diferença entre a taxa praticada pelas instituições financeiras nas concessões de empréstimos e a taxa de captação de recursos, ficou em 14,5 pontos percentuais. No entanto, segundo economistas, o ciclo de alta da Selic e o fim das linhas de crédito emergenciais criadas durante a pandemia devem pressionar o spread novamente para cima. (Valor Investe)

 

 

Viver

 

Dessa vez ninguém precisou virar a noite para vibrar. Ainda eram 20h30 no Brasil quando Ana Marcela Cunha confirmou o favoritismo e levou o ouro na maratona aquática. Aos 29 anos, a baiana de cabelos verdes e amarelos superou a frustração de não ter se classificado para os Jogos do Rio, em 2016, e mostrou por que é dona de 11 medalhas em campeonatos mundiais. (Globo Esporte)

Confira a emocionante chegada de Ana Marcela. (G1)

Só para fins de registro, das quatro medalhas de ouro do Brasil até agora, três foram conquistadas por mulheres. (CNN Brasil)

Em 2016, no Rio, Thiago Braz era um desconhecido de público e saiu com o ouro no salto com vara. Em 2021, ele chegou a Tóquio desacreditado após péssimas performances em competições internacionais. E saiu com o bronze. É “superação” que se fala? (Globo)

Pela primeira vez desde que a modalidade foi instituída, em 1996, o Brasil volta sem medalha no vôlei de praia. Plavins e Tocs, da Letônia, derrotaram na semifinal nossa última dupla nos Jogos, Álvaro filho e Alison — aliás, como tem Alison no esporte brasileiro. (UOL)

Também não deu para as brasileiras no skate park. Dora Varella e Yndiara Asp ficaram na 7ª e 8ª posição, com as japonesas Sakura Yosozumi e Kokona Hiraki levando o ouro e a prata, e a inglesa Sky Brown ficando com o bronze. Se nos serve de consolo, Sky é a maior “parça” da Fadinha Rayssa. (UOL)

Com uma semana em vigor, a lei que pune “sommeliers de vacina” na cidade de São Paulo já mandou para o fim da fila 445 pessoas que se recusaram a tomar o imunizante disponível nos postos. (Estadão)

Já o governo de São Paulo anunciou para 17 de agosto a volta de eventos sem limite de público. (Folha)

E a abertura no Rio não será tão ampla, geral e irrestrita. Os cariocas só poderão frequentar locais fechados, como bares, teatros e estádios, e até receber programas de assistência da prefeitura com a apresentação de comprovante de vacinação com duas doses. (Globo)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, anunciaram ontem o balanço do projeto de vacinação em massa no Complexo da Maré, no Rio. Foram imunizadas 36 mil pessoas, cinco mil a mais do que a meta inicial. (Agência Fiocruz)

Nesta terça-feira, foram registradas 1.238 mortes por Covid-19 no país. A média móvel de óbitos em sete dias ficou em 956, a menor desde 16 de janeiro. No total, 558.597 pessoas perderam a vida desde o início da pandemia. (UOL)

Apontado como estímulo à grilagem e ao desmatamento, o projeto que amplia o tamanho de imóveis rurais em terras públicas que podem ser regularizados por autodeclaração foi aprovado na Câmara e vai agora ao Senado. (G1)

Doze dias após sair do ar, o acesso à Plataforma Lattes foi restabelecido pelo CNPq. O processo de restauração total dos sistemas ainda está em andamento. (Poder360)

 

 

Cotidiano Digital

 

O interesse dos investidores nas startups brasileiras só cresce — e ontem veio uma enxurrada de dinheiro. A Movile, controladora da iFood, recebeu um aporte recorde de R$ 1 bilhão, o maior montante recebido desde a sua fundação, considerando os investimentos em única rodada. Enquanto a Unico, startup de biometria facial, se tornou o mais novo unicórnio brasileiro, avaliada US$ 1,02 bilhão, após levantar US$ 120 milhões numa rodada de investimento. Já a Omie, de software de gestão para micro, pequenas e médias empresas, chamou atenção do Softbank e levantou R$ 580 milhões em investimentos — sua última rodada antes de um provável IPO na Nasdaq, em até três anos. Ainda segundo o Information, a Nuvemshop, startup de comércio eletrônico, deve chegar à avaliação de US$ 2 bilhões após uma rodada liderada pelo Tiger Global Management.

Pois é… Depois de registrarem o melhor semestre da história para investimentos, as startups brasileiras seguem acumulando bons números. Durante o mês de julho, captaram, juntas, mais de US$ 484 milhões em investimentos, um volume 35% superior ao mesmo período do ano passado. (Exame)

O Google apresentou o seu novo modelo de celular que vem com chip, desenvolvido pela própria empresa, com recursos de inteligência artificial e 5G. O Pixel 6 ainda não tem preço definido e nem data para ser lançado, mas deve ser ainda este ano. No entanto, esses aparelhos não costumam ser lançados no Brasil. (G1)

Meio em vídeo. Com o sucesso do Tik Tok, os vídeos curtos e verticais viraram febre nas redes sociais. De dancinhas a conteúdos originais, as plataformas se viram obrigadas a abrir espaço para os novos formatos. O Instagram criou o Reels, o Youtube, o Shorts. Pedro Doria e Cora Rónai conversam sobre a chegada dos vídeos curtos e a competição acirrada no mercado digital. Confira no YouTube.

 

 

 

 

 

Cultura

 

Morreu ontem, aos 93 anos, o pesquisador e crítico musical José Ramos Tinhorão, um dos mais importantes historiadores da música brasileira e pesadelo de nove entre dez artistas. Autor de diversos livros sobre a música do Brasil e de Portugal, amealhou ao longo da vida um acervo de mais 13 mil discos e publicações, hoje pertencente ao Instituto Moreira Salles. Tinhorão era um purista, e seu lendário mau humor era disfarce para uma ironia cruel e não raro precisa ao avaliar os rumos da música no Brasil. Tanto que parou de se identificar como crítico e explicou: “Não tem mais música brasileira para criticar”. (Globo)

A ideia do governo francês era estimular a indústria cultural local, que luta para se recuperar da pandemia. Para isso, foi criado um app que liberava para jovens de 18 anos 300 euros (R$ 1.866) a serem gastos em bens culturais. Faltou combinar com a garotada. Cerca de 75% do dinheiro foi usado para comprar mangás, os viciantes e ultrapopulares quadrinhos japoneses. (Folha)

Em tempo, quadrinhos (incluindo mangás) são cultura, sim.