MP da Eletrobrás passa no Senado com mais jabutis

O texto-base da MP de privatização da Eletrobrás foi aprovado ontem pelo Senado

Por Canal Meio 18/06/2021 - 13:50 hs

MP da Eletrobrás passa no Senado com mais jabutis

O texto-base da MP de privatização da Eletrobrás foi aprovado ontem pelo Senado. No entanto, foram feitas uma série de alterações, o que levará o texto novamente à votação da Câmara, marcada para dia 21, último dia antes da medida perder validade. O relator Marcos Rogério (DEM-RO) recuou a pedido do governo na exigência de contratação de termelétricas movidas a gás natural antes da desestatização. Mas incluiu um dispositivo que tira poderes do Ibama e da Funai no licenciamento da linha de transmissão de energia Manaus-Boa Vista. Outro “jabuti” foi o aumento da contratação de térmicas a gás mesmo onde não há reservas nem infraestrutura. Associações do setor calculam que o texto do Senado adicionou um custo de R$ 15 bilhões, elevando a despesa que será paga pelos brasileiros para R$ 84 bilhões. (Folha)

A aprovação da MP representa uma intervenção no setor elétrico no mesmo nível da feita pela ex-presidente Dilma Rousseff. Essa é a avaliação da economista Elena Landau, que comandou o programa de privatizações durante o governo FHC. “Isso é natural num governo petista, mas num governo que se diz liberal, é espantoso”, diz. Segundo ela, o ideal seria deixar o texto caducar e fazer uma privatização com seriedade. Da maneira como está, afirma, o governo joga para a sociedade o prejuízo da venda da estatal. (Estadão)

Confira como votaram os partidos e os senadores. (Poder360)

O empresário bolsonarista Carlos Wizard, suspeito de financiar e integrar o “gabinete paralelo” que aconselhava Bolsonaro à revelia do Ministério da Saúde, faltou ao depoimento na CPI da Pandemia marcado para ontem. Ele tinha um habeas corpus que lhe permitia ficar em silêncio, mas era obrigado a comparecer. O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse que vai pedir à Justiça a condução coercitiva de Wizard e a apreensão de seu passaporte. E a CPI adiou o depoimento do auditor afastado do TCU Alexandre Figueiredo Marques, suspeito de produzir um relatório “extraoficial” sobre supernotificação de mortes na pandemia. (G1)

Falando em habeas corpus, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitaram a proposta do presidente da Corte, Luiz Fux, de concentrar em um único relator os pedidos de habeas corpus envolvendo a CPI. Ministros diferentes têm tomado decisões conflitantes sobre o assunto. (CNN Brasil)

E foi anunciada ontem a nova Secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19. Rosana Leite de Melo é médica, se declara “defensora da ciência” e apoiou publicamente os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Sérgio Moro quando entraram em choque com o presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, ninguém tem ideia de quanto tempo ela dura no cargo. (Globo)

O governador do Maranhão, Flávio Dino, anunciou ontem sua desfiliação do PCdoB, fazendo o partido perder seu único chefe de um Executivo estatual. A expectativa é que Dino se filie ao PSB e saia candidato ao Senado no ano que vem. A legenda também deve receber outro político de forte expressão, o deputado Marcelo Freixo, que acaba de deixar o PSOL e é potencial candidato ao governo do Estado do Rio. (Poder360)

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Lula (PT) defendeu ontem que cada partido apresente um candidato, em vez de buscar um terceira via para enfrentá-lo e ao presidente Jair Bolsonaro. “Não tem que procurar um só, tem que procurar dez. Cada partido deveria lançar um candidato, e o povo vai votar e escolher quem pode ser eleito”, disse. A declaração veio um dia depois de presidentes de cinco partidos se reunirem para discutir uma candidatura comum. (UOL)

Falando a apoiadores, Bolsonaro classificou como “quase certa” sua filiação ao Patriota. “Mas é igual um casamento, a gente tem que planejar bem para depois não dar problema”. (Poder360)

A “motociata” promovida por Jair Bolsonaro no último sábado em São Paulo serviu para que empresários ligados ao ato montassem uma rede de contatos com informações pessoais de milhares de cidadãos. Interessados em participar da manifestação eram induzidos a preencher uma ficha online com seus dados, supostamente por exigência do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. A despeito de o pedágio da Rodovia dos Bandeirantes ter registrado a passagem de menos de 7 mil motos, os organizadores afirmam terem coletado dados de 500 mil pessoas. (Estadão)

Meio em vídeo. Milhares de contas, possivelmente para lá das dezenas de milhares de contas, desapareceram do Twitter esta semana. A extrema-direita grita censura. Por trás deste fazer-se de vítima existem alguns truques. Primeiro, esconde que essa guerra a direita está ganhando, e de lavada. E, depois, distrai para uma tática importante que é a base do bolsonarismo. A da radicalização via redes. Confira o Ponto de Partida no YouTube.