Em meio a protestos, Rússia faz recrutamento forçado

Por Canal Meio 22/09/2022 - 08:39 hs

Grupos de defesa dos direitos humanos acusam o governo russo de recrutar à força para o Exército jovens detidos em manifestações contra a invasão da Ucrânia. Aqueles que se recusam são ameaçados com processos que podem levar a até 15 anos de prisão. Pelo menos 1.300 pessoas foram presas nesta quarta-feira em protestos em Moscou e em São Petersburgo contra a escalada do conflito. Os atos aconteceram um dia depois de o presidente Vladimir Putin anunciar a convocação de 300 mil reservistas, segundo estimativas do Ministério da Defesa, para reforçar as tropas no país invadido. A medida é uma reação à contraofensiva ucraniana que retomou territórios ocupados pelos russos no Norte do país. Em pronunciamento, Putin também insinuou a possibilidade usar armas nucleares no conflito. (CNN)

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente americano Joe Biden afirmou que a invasão russa busca eliminar a Ucrânia como nação e os ucranianos como um povo. Ele acusou Putin de fazer “ameaças nucleares irresponsáveis” e disse que a própria Carta das Nações Unidas, documento que marcou a criação da ONU, está “sob ataque” pelas ações da Rússia. (Reuters)

Na tentativa de se aproximar do agronegócio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu ontem, em entrevista ao Canal Rural, a posse de armas, ainda que limitada, por donos de fazendas. “Ninguém vai proibir que o dono de uma fazenda tenha uma arma, duas armas. Agora, se ele tiver 20, já não é mais arma para defesa. Se tiver 30, pior ainda. Você percebe? É apenas bom senso”, afirmou. Ele comparou a política armamentista do presidente Jair Bolsonaro (PL) à de seu ex-aliado Hugo Chávez, presidente venezuelano morto em 2013. (Metrópoles)

Enquanto isso. Após o 7 de Setembro e o velório da rainha Elizabeth II, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu Bolsonaro de usar na propaganda eleitoral imagens de seu discurso na Assembleia Geral da ONU. Como nos casos anteriores, a avaliação foi de que ele estava fazendo uso político de atos relativos ao cargo de chefe de Estado, ferindo a isonomia entre os candidatos. (CNN Brasil)

O ex-ministro Ciro Gomes, candidato do PDT ao Planalto, criticou antigos apoiadores, como os cantores Tico Santa Cruz e Caetano Veloso, que anunciaram a migração de seus votos para o ex-presidente Lula (PT) ainda no primeiro turno. “São boas pessoas, mas que todos estão lá com a vida ganha”, afirmou. Ciro diz que os defensores do voto útil querem “simplificar de uma forma absolutamente dramática o debate e querem simplesmente aniquilar alternativas”, o que vê como “uma tragédia para o Brasil”. Quem também reclamou do voto útil defendido por Lula foi a candidata do MDB, Simone Tebet. Segundo ela, o ex-presidente desrespeita a democracia ao pedir votos sem “se apresentar ao Brasil”. “Quem é esse Lula que está chegando? Qual é o projeto que tem para educação? Qual é o projeto de desenvolvimento?", indagou. (Estadão)

Do outro lado, 55 personalidades da América Latina, entre intelectuais e políticos, divulgaram ontem uma carta aberta conclamando Ciro a desistir da candidatura em favor de Lula. Encabeçados pelo ativista argentino e vencedor do Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, os signatários pedem que Ciro “dirija-se aos seus seguidores e lhes diga que a urgência da luta contra o fascismo não lhes deixa outra opção além de apoiar a candidatura presidencial de Lula”. Quem aderiu ao voto útil foi o jurista Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Ele justificou seu voto em Lula para evitar “ataques à democracia, à dignidade da pessoa humana e ao meio ambiente, que, com certeza, sucederão com maior intensidade em novo mandato de Bolsonaro”. (UOL)

Conforme se aproximam as eleições, surgem novos relatos de violência política. Um pesquisador do Datafolha foi agredido a socos e chutes em Ariranha (SP) pelo militante bolsonarista Rafael Bianchini, que exigia ser entrevistado. Pelo protocolo do instituto, pessoas que se oferecem para responder devem ser evitadas, a fim de manter o caráter aleatório da pesquisa. Em Recife (PE), a janela de um apartamento com a bandeira do PT foi atingida por tiros na madrugada de ontem. E em Feira de Santana (BA), a casa do candidato a deputado federal Damazio Santana (PSB) amanheceu pichada com ofensas racistas. (Folha e UOL)

Malu Gaspar: “O empresário bolsonarista Luiz Henrique Crestani, de Santa Catarina, usou seu perfil no Instagram para publicar um vídeo em que aparece, ao lado de sua esposa, praticando tiro ao alvo – o alvo, no caso, é uma imagem do ex-presidente Lula (PT). ‘Qual que é o ladrão? Estou na dúvida. Vamos ver onde a arma pega’, diz Crestani, aos risos, antes de disparar uma série de tiros com uma espingarda semiautomática.” (Globo)

O Ministério Público Federal (MPF) arquivou o inquérito civil contra o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega por crime de responsabilidade, referente às “pedaladas fiscais”, acusação que esteve na base do processo de impeachment de Dilma Rousseff em 2016. O despacho de homologação foi publicado em 7 de fevereiro deste ano, mas somente ontem a ex-presidente foi informada, por meio de seu advogado, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Segundo o texto, não era possível responsabilizar os agentes públicos, pois agiram de “boa-fé” e segundo práticas do Ministério do Planejamento. A assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República informou que não é prática comum divulgar homologações de arquivamentos. No Twitter, Dilma comemorou a conclusão do caso. “Seis anos depois do meu impeachment por infundado crime de responsabilidade, MPF arquiva inquérito sobre ‘pedaladas fiscais’”, escreveu. (Meio)

Meio em vídeo. A Humanidade nunca teve a seu alcance, como tem neste momento, as ferramentas para resolver os problemas do planeta e das próprias pessoas. Isso é o que diz o convidado desta semana do Conversas com o Meio, o neurocientista Sidarta Ribeiro, fundador do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Mas por que isso não está acontecendo? Por que são tão grandes a polarização e a agressividade que vivemos hoje? Os motivos são vários. Descubra nesta entrevista a Leonardo Pimentel, editor-executivo do Meio. (YouTube)

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Tech no próximo nível

O que a Web 3.0, a Internet das Coisas (IoT) e o tráfego de dados têm em comum? O aumento da digitalização e o avanço destas tecnologias exigem uma infraestrutura capaz de armazenar e processar as informações de forma eficiente. E é aí que entra o Edge Computing. A computação de borda é um tipo de arquitetura de TI onde os dados do cliente são processados na borda da rede, ou o mais próximo possível da fonte de dados. Com isso, os usuários se beneficiam de serviços mais rápidos e confiáveis, por exemplo. Entenda o papel do Edge Computing nessa transformação.

O turismo espacial é um fenômeno recente no qual muitas empresas já estão de olho. A rede americana de hotéis Hilton, por exemplo, quer transformar as viagens ao espaço em um passeio de luxo. A empresa vai desenvolver as acomodações da Starlab, uma estação espacial privada que está em construção pela Voyager Space Holdings. Serão construídas áreas comuns e suítes para os tripulantes. A previsão é de que a estação fique pronta em 2027, mas um módulo deve ser concluído até o ano que vem. (Canaltech)

Para ler com calma. As preocupações relacionadas ao viés, viabilidade de dados, custos e resistência dos funcionários já são questões comuns quando falamos sobre Inteligência Artificial (IA). Mas existe um ponto ainda mais importante quando se trata do impacto final da IA, argumenta um de seus principais defensores, Ajay Agrawal, professor da Universidade de Toronto. Para ele, é hora de começar a olhar para a IA não da perspectiva de um tecnólogo, mas de um economista. Entenda. (Forbes)

Todos os Bolsonaros nos fizeram passar vergonha essa semana. Até a Michelle, que decidiu fazer publi no funeral da rainha. A ex-mulher de Bolsonaro também foi papo, tendo movimentações financeiras de milhões num salário de milhar. É, essa família é muito unida. Assista a Curadoria Meio Maravilhosa.

Viver

O presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou ontem a lei que obriga os planos de saúde a cobrirem tratamentos fora do rol da Agência Nacional de Saúde (ANS). Aprovada pelo Congresso, a nova legislação derruba entendimento do STJ de que as seguradoras só precisariam custear os 3.368 itens na lista da agência. Agora, tratamentos não experimentais e indicados por médicos com justificativas terão de ser cobertos. (g1)

A taxa de mortes violentas de crianças e adolescentes até 19 anos na Amazônia Legal foi 34,3% maior que a média nacional. É o que revela um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quarta-feira. Foram 11,1 mortes por cem mil habitantes nesta faixa etária naquela região, enquanto a média nacional foi de 8,7. A violência sexual também se mostrou maior na Amazônia Legal, que teve uma taxa de estupro desses jovens 7,6% maior que a média nacional. (Folha)

Um estudo do Instituto Socioambiental (ISA) com dados do MapBiomas mostra que florestas ocupadas por comunidades indígenas são mais preservadas que aquelas sem presença humana. Nos últimos 35 anos, as terras indígenas e espaços destinados às populações locais extrativistas tiveram uma cobertura da vegetação maior que unidades de conservação de proteção integral. Atualmente, 30,5% das florestas brasileiras são áreas protegidas por povos originários e outras populações tradicionais. (Globo)

Panelinha no Meio. Especiarias e hortaliças transformam a dupla fit frango e batata doce num prato de alto nível. A galinha vira um papilote, e a batata, um purê. O que era saudável, mas talvez sem graça se torna saudável e delicioso.

Cultura

Inspirado em fatos reais do início do século 19, A Mulher Rei (trailer), produzido e estrelado por Viola Davis, é o destaque nos cinemas em um diz cheio de estreias. Produzido e estrelado por Viola Davis, o longa conta a história das mulheres guerreiras do reino africano de Daomé, hoje Benin. Cercado de polêmicas, chega o suspense Não se Preocupe, Querida (trailer), de Olivia Wilde. O protagonista (e namorado da diretora) Harry Stiles é acusado de grosserias no set e de se apropriar de causas LGBTQA+. Baseado na obra de Clarice Lispector, O Livro dos Prazeres (trailer) traz Simone Spoladore como uma professora que precisa descobrir o que é o amor. E, já criando hype para a continuação, volta às telas Avatar (trailer), epopeia alienígena de James Cameron.

Confira a programação dos cinemas na sua cidade. (Adoro Cinema)

Para ler mantendo a calma. Por pressão de deputados bolsonaristas, a Assembleia Legislativa de Minas encerrou antes do prazo a exposição Deslocamento, do artista plástico e jornalista Carlos Barroso. Os deputados acusaram a mostra, montada do prédio da assembleia, de “vilipêndio de objetos de culto”. Em um dos trabalhos, por exemplo, um jogo de palavras transformava a expressão “sangue de Cristo” em “sangue de dízimo”. Segundo Barroso, disse nunca ter sofrido uma censura desse tipo, a justificativa para o fim antecipado da exposição foi um suposto “risco de invasão” do prédio. (Folha)

Cotidiano Digital

O WhatsApp se tornou a plataforma mais popular entre as empresas brasileiras, segundo a pesquisa TIC Empresas 2021, divulgada nesta quarta-feira pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Hoje, 72% dos negócios do país têm uma conta no aplicativo de mensagens, superando o uso do Facebook (65%). A última edição da pesquisa foi feita em 2019, ou seja, esta é a primeira que leva em conta os efeitos da pandemia. Em 2019, 54% das empresas tinham um perfil no WhatsApp. Já no Instagram, TikTok e Snapchat, o percentual de empresas com perfil em alguma dessas redes sociais cresceu de 44% em 2019 para 66% em 2021. (Folha)

A Apple pode levar 25% da produção do iPhone para a Índia até 2025, segundo analistas do JPMorgan. Isso porque as crescentes tensões geopolíticas e lockdowns na China podem obrigar a gigante de tecnologia a transferir parte de sua fabricação de celulares para o segundo maior mercado de smartphones do mundo - atrás apenas da China. Até o final deste ano, espera-se que a marca leve cerca de 5% da produção do iPhone 14 para a Índia. Os analistas do banco norte-americano também estimam que cerca de 25% de todos os produtos da empresa, incluindo Mac, iPad, Apple Watch e AirPods, sejam fabricados fora da China até 2025, ante os 5% atuais. (CNN)